21.5.08




17.5.08

dezessete de maio


5.4.08

a tempo


4.4.08



3.4.08


2.4.08

lá vem ele



zero zero e quarenta e sete a quilometragem avança avisa que o sinal alcança só de milímetro a milímetro que o cardinal rota enquanto suspende outro giro e que a bússola marca zero zero e quarenta e oito convém comer biscoito cantar mandinga saltar em oitos suar de tanga partir nas bordas voar queimada soar calçada e receber este sol na cara

1.4.08

ao perder a noção da hora

sou um homem comum, qualquer um
- reza letra de música do caetano veloso
veloz o vento que me trouxe
mais veloz ainda eu
velosa, volátil, vociferada
vértice que incandesceu no ar
e deu aqui
vibro pouco na velocidade
o atrito pode ser fatal
ventilo
vagabundeio
vazia
voz me repete:
sou um homem comum
sou qualquer um

1.3.08

flores


13.2.08

antigo mas de agora

tão antiga a última entrada
já virou cantiga
e agora
para desaguar
na saída
escrevo
em fevereiro 2008:
em porto alegre não faz calor
em aviões se perde a noção
o bem é descomprimir nos intervalos
ouvir o canto do galo
saudar
o ser e o não
apenas questão de opinião

hoje está madrugada, cozinha, banho, robe, sapato jogado num canto
esteio, iogurte, seda, lavanda
uma mesma idéia anda
e outra vem pelo avesso

13.10.07

oh silenciosa

por que duvidas de mim,
oh silenciosa?
por que me socas o estomago para que eu nao cante?
por que me fazes febre e calor e coisa feita da outra cara do santo?
por que me queres de espanto e boca seca?
acaso vives em meca?
acaso baixas salarios?
acaso tens uma pedra com o teu nome gravado?
sou tua pròpria postura
e de ti nao vou ser vitima
te guarda, pois, oh , mudinha
eu quero é botar o meu bloco na rua da ladeiraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

18.9.07

oye

olá. tudo legal? tudo bem? tudo nos trinques? tudo em cima? como andam as coisas?

alô. as coisas andam com meios de transporte os mais variados - ultimamente, a pé, com um terceiro membro ora metendo-se a alçar vôo, ora enfiando-se rabo adentro. as coisas andam, ainda assim.
ontem eu estava numa festa onde pessoas se "pegavam". entao, a reuniao se concentrava na cozinha, e o resto da casa, às escuras, funcionava de palco para o brinquedo de pegar, que também era o brinquedo de "ninguém pode nos ver". aí, eu apareci no vao entre a cozinha e o banheiro, e uma das meninas me fez sinal para eu fazer silêncio. atrás dela, se escondia um dos meninos. nem pensei em acender alguma luz.

outro dia, fizeram uma ceia para a mae de um dos moradores da nossa casa. recolheram os vasinhos de maconha, abriram todas as janelas, ventava tipo sibéria, arrumaram as camas, esticaram tudo, conversaram gentis, limparam o banheiro, admiraram muito aquela mae que vinha e sentava à nossa mesa e ficava feliz de estar com o filho e seus amigos, es decir, nós todos estàvamos muito felizes de termos uma mae para jantar com a gente.

teve outra noite ainda em que me pediram para que eu tocasse violao, "uma brasileira, Eli"...
toquei Ovelha Negra, da Rita, eles me aplaudiram. como acham bela e sensual e redonda a língua brasileira!!!

somos um núcleo curioso. uma célula. um funcionamento. uma constelaçao.

ainda bem, irmao.

1.9.07



29.8.07

por que me descobriste no abandono?


suo embaixo dos braços no inverno de sete graus
eu suo baixando os degraus e desconfiando
desconfiando que de mim estão guardadas, por mim, as novidades?
mas que espécie de cara metade sou?
eu suo para onde vou
suo e sou
nos alinhavos de uma bainha que comecei, começo
e não canso
sempre me acontece
de pensar - ah, hoje, hoje, hoje!
olho fotografias e me descubro no abandono
eu não me esqueço, eu não me conheço?
oh, obrigada pelas lindas flores
oh, me irrito
oh, suo de aflita
oh, gravo a metade que sou
e as outras eu não largo, devagar,
caiu este amor aqui na minha mão.

25.8.07

gui-tar



às vezes eu me pergunto

por que sou tão deste lado

não faço do amor quase nada

nem fico sorrindo ao meu lado

pois eu me tenho toda hora

me como, me cuspo, me beijo

talvez eu não me entenda

mas hoje eu vou me mostrar...





raul, teus lábios de fel, tua boca dourada, tua pele infeliz


raul, tua pouca morada, teus cachos de uvas, por favor, me diz


que eu só tenho vertigens, só gasto fuligens e torço o nariz


e tu és muito dengoso, moroso, chistoso


e escreves com giz





(vou, vou, vou/vou fazer as malas/pegar esse trem/e comprar algumas balas)


22.8.07

fi(s)gada com queijo


São três horas da manhã/o bonde passou fiado/ouvi o grito de espera/acordei pra duvidar/não creio, não creio/são três horas da manhã/o grito me parte ao meio/sou grande sorriso e receio/numa esfera rumo ao mar/palavras de complicar/palavras tontas/são três horas da manhã/como figada/visto grosso casaco/vôo nos intervalos/a última vez que vi o bonde foi em 1967/três com dois não somam sete/espinhos na cama?

12.7.07

la tardecita

4.6.07

até que eu esqueca tudo isso e deixe a vida me cortázar

hoje conversei com julio cortázar. quem me ensinou? foi ele... de cabelos engraxados e rosto desenhado pela vida, ele arqueou as sobrancelhas cabeludas e me fez uma conversa de dentro para eu me agasalhar. estava muito frio no deserto dos corpos malcheirosos de um escritório em que se cumprem ordens, estava muito frio para eu poder falar. cortázar nasceu em bruxelas e viveu em buenos aires, cortázar casou tres vezes e viu que tinha vindo para nao entender... estas palavras.
entao eu passei de mao em mao a burrice.
entao eu fiz careta pra mim e ouvi cortázar dizer: "...esquece. viajei muito e traduzi bocas estranhas, nunca entendi o que diziam e mesmo assim escrevi tudo o que vivi buscando escrever tudo o que vivi."
entao a gente vive só por uma gota de sangue?
é.
julio, eu te amo.

27.4.07

desde drexler

cada um dá o que recebe
e logo recebe o que dá
nada é mais certo
nao há outra forma
nada se perde
tudo se transforma

(versaozinha para música de Jorge Drexler, Todo se transforma)

a cúpula de dentro do teatro
e o olho na cúpula que leva ao céu
jorge drexler gineteia a manada
e eu, eu, eu
nao sou mais o que fui
sou esta: a cúpula
no firmamento
no firme aumento de minhas dúvidas
acarinhadas, acalentadas, regadas todos os dias
pois que floresçam
pois que adoleçam
pois que me esqueçam
pois que se façam de pé

"... gira en el aire mi moneda..."